A Pesquisa Bibliográfica Colaborativa Apoiada por Mapas
Conceituais:
contribuições
para a formação de professores da Educação de Jovens e Adultos
Claudio Fernando André
Doutorando da Faculdade
de Educação da USP
cfandre@uol.com.br
Resumo
Ao realizar pesquisas
bibliográficas que utilizam os recursos da internet é necessário ter
habilidades tais como saber acessar e organizar informações, no entanto, o mero
acesso a informação não garante por si só a construção de conhecimentos. Conhecimentos
prévios são necessários e a colaboração entre os indivíduos são elementos fundamentais
para o processo cognitivo. Este trabalho tem como principal objetivo, a reflexão
sobre ações que permearam um trabalho colaborativo de pesquisa bibliográfica
apoiada por mapas conceituais, dos professores-estagiários do Núcleo de Estudos
de Educação de Jovens e Adultos da Faculdade de Educação da Universidade de São
Paulo (NEA). O uso dos mapas conceituais serviu como estratégia para a pesquisa
bibliográfica subsidiando a reflexão permanente sobre a ação docente apoiada
pela organização informacional em rede. Os resultados das pesquisas foram apresentados
no 13º. Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP).
Revelou a importância da organização e mapeamento de informações como competências
a serem desenvolvidas na e para a ação docente. Destacamos a cooperação,
o diálogo e à interação entre os pares como estratégias de pesquisa ampliada
com a utilização de dispositivos tecnológicos que contribuíram para a organização
dos trabalhos apresentados. O mapeamento bibliográfico colaborativo contribuiu
para que os professores-estagiários do NEA definissem estratégias próprias de
busca, ordenação, análise e interpretação de informações, construindo
conhecimentos novos de forma autônoma, crítica e ética sobre seus desempenhos
pedagógicos.
Palavras-chave: formação de
professores, pesquisa colaborativa, mapas conceituais, dispositivos
tecnológicos.
1. Introdução
A construção de
conhecimento é marcada por múltiplas transformações e exige profundas reflexões
sobre o dia-a-dia do professor e do aluno na sala de aula e fora dela. Nos
últimos anos, a temática de mapeamento e organização da informação tem
suscitado várias pesquisas que apontam para a necessidade de um professor que possa
rever seus propósitos e valores permanentemente, que saiba trabalhar em grupo refletindo
sobre sua história de vida pessoal, acadêmica e profissional. Para Ameida e
Okada. (2004):
A quantidade inassimilável, atualização constante e
diversidade de dados mostram que dominar um assunto não é mais deter todas as
informações, mas sim, saber onde e como encontrá-las. Neste sentido, a idéia de
mapear a informação, traçar rotas, selecionar e articular o que é relevante
seja talvez o modo de caminhar no pântano. Saber trilhar onde não há pegadas é
o desafio.
A vivência de práticas
pedagógicas que buscam a superação dos desafios para a organização
informacional é um dos indicadores deste processo de mudanças e envolve um
constante refletir sobre a ação pedagógica. Nossa inquietação nos remete ao
seguinte questionamento: como os
dispositivos tecnológicos podem contribuir para processos de organização
informacional, contextualizado para a educação de jovens e adultos, nesse
oceano chamado internet?

Figura 1 – Considerações iniciais da pesquisa colaborativa
em EJA
Diante dessa principal questão e como colaborador do Núcleo de Estudos de
Educação de Jovens e Adultos da Faculdade de Educação da USP (NEA), propusemos[1] um trabalho de organização e mapeamento bibliográfico
colaborativo que trouxesse subsídios teóricos para a reflexão de situações educacionais
reais vivenciadas nos contextos da sala de aula com Educação de Jovens e Adultos
(EJA). Para o mapeamento bibliográfico, consideramos o período de 1997 a 2004
das teses e dissertações do Programa de Pós-Graduação da FEUSP e também os
artigos dos seguintes periódicos: Revista Educação e Pesquisa - Faculdade de
Educação da USP; Revista Brasileira de Educação – Associação Nacional de
Pós-Graduação e Pesquisa em Educação; Cadernos de Pesquisa – Fundação Carlos
Chagas.
A pesquisa
e mapeamento bibliográfico colaborativo contribuíram para que os
professores-estagiários do NEA definissem estratégias próprias de busca,
ordenação, análise e interpretação de informações, construindo conhecimentos
novos de forma autônoma, crítica e ética. O trabalho com mapas conceituais,
ajudou-nos a tornar cristalina a percepção da importância da pesquisa apoiada
por recursos tecnológicos para a melhoria contínua do ensino e conseqüentemente
do processo de aprendizagem. Piconez (2002, p.11) considera que “não é verdadeira a pesquisa sem o mergulho
na ação e não se consegue diagnosticar intervenções de aperfeiçoamento sem a presença
da pesquisa”.
Dentro do
contexto atual, STIGLER & HIEBERT (1999) ressaltam a importância do
movimento em torno do professor-pesquisador destacando que a aprendizagem dos
alunos depende também da qualidade do ensino dos professores, ou da capacidade
permanente para aprender dos professores.
2.
Objetivos
As possibilidades
do desenvolvimento de pesquisa colaborativa em rede, fundamentado pelo processo
de observação permanente das interações efetivadas na dinâmica teoria/prática
de um projeto interativo virtual (PALLOFF & PRATT, 2002) favorece o
protagonismo do professor na organização de todo trabalho pedagógico.
Com a finalidade
de realizar o mapeamento bibliográfico sobre a fundamentação teórica da ação
docente com jovens e adultos, este estudo teve como objetivos:
·
Compreender os fundamentos históricos e culturais da
educação escolar de jovens e adultos e dialogar com novos paradigmas na
fundamentação do trabalho pedagógico apoiado por mapas conceituais
·
estudar a organização de tarefas coletivas que contribuem
com a busca, seleção e organização de informações apoiados por recursos da
internet e suas relações com processos cognitivos e interação humana
3. Referencial Teórico
Nosso referencial teórico, baseia-se em estudos sobre a formação de
professores que a partir de reflexão, buscam soluções para os problemas de seu
contexto apoiados por trabalho colaborativo (ZEICHNER,1993; PÉREZ-GÓMEZ, 1992;
PIMENTA E GHEDIN, 2002; CONTRERAS, 2002) usando dispositivos tecnológicos. A
atividade de reflexão exige um trabalho com características específicas, tais
como as apresentadas em estudos realizados por SCHÖN (2000, p. 63), por entendermos
que “é nossa capacidade de ver como e
fazer como que nos permite dar um sentido a problemas que não se encaixam em
regras existentes”. Nos apoiamos ainda na concepção de aprendizagem
significativa e noção subsunçora proposta por Ausubel (apud Okada, 2004) quando
afirma que o “estabelecimento consciente e criativo exige do pesquisador a
mobilização de competências teórico-analíticas e hermenêuticas, implicando
operações cognitivas” tais como:
As pesquisas bibliográficas
colaborativas apoiadas por mapas conceituais possibilitam o surgimento de um
intelectual coletivo que permite ao aprendiz pensar por si mesmo, construir uma
nova relação educativa baseada em princípios de autonomia, cooperação, criatividade,
resolução de problemas e integração, como propõe LÉVY (2000, p. 94) quando diz que
“o intelectual coletivo é uma espécie de
sociedade anônima para a qual cada acionista traz como capital seus
conhecimentos, suas navegações, sua capacidade de aprender e de ensinar”.

Figura 2 – Principais referenciais utilizados nesta
pesquisa
As características dos projetos de pesquisa bibliográfica
colaborativa apoiada por mapas conceituais não seguem uma única receita e não
são considerados como um algoritmo. Seu desenvolvimento não é linear, nem totalmente
previsível; todos pesquisam, ensinam e aprendem. Estes fatores, muitas vezes,
são responsáveis por fazer-nos tomar novos rumos em busca do conhecimento.
Okada e Santos (2005), consideram que na pesquisa,
é freqüente essa experiência num movimento linear, angular
e circular de idas e voltas; e, de voltas e idas para novos avanços seguros
numa espiral que consolide a última espira tal que se torne uma obra-prima da
sua pesquisa. Isto é, uma grande e nova noção subsunçora que pode ainda receber
novos acréscimos coerentes e de boa qualidade.
Reconhecemos que há uma dificuldade de se experimentar o “desconhecido”,
por isso, trabalhar com mapas conceituais não implica apenas compreender sua
concepção, mas adentrar uma nova concepção de educação e mudança de paradigma.
Esse caminho requer de cada sujeito a compreensão sobre o como acessar,
selecionar, analisar e interpretar a informação para transformá-la em
conhecimento novo.
Para MACHADO (2004, p. 89),
“construir o conhecimento seria, pois, como construir uma grande rede
de significados, em que os nós seriam os conceitos, as noções, as idéias, em
outras palavras, os significados; e os fios que compõem os nós seriam as
relações que estabelecemos entre algo em que concentramos nossa atenção e as
demais idéias, noções ou conceitos; tais relações condensam-se em feixes, que,
por sua vez, se articulam em uma grande rede”.
A via mais importante para a construção
do conhecimento é a consciência do indivíduo sobre seu próprio processo como
aprendiz, consciência que se estabelece com o real em relação com a biografia
de cada um.
4. O contexto da pesquisa
O Núcleo
de Estudos de Educação de Jovens e Adultos (NEA), da Faculdade de Educação da
USP, preocupa-se em estabelecer estreita relação com os paradigmas emergentes
de pesquisa científica e se organiza no sentido de buscar superação, colocando
à disposição de seus professores-estagiários, momentos significativos de
reflexão sobre a ação docente, seu modo de ser e atuar no ensino, pesquisando a
própria prática da sala de aula e a troca de experiências entre seus pares.
Foi
proposto aos professores-estagiários do NEA, vivência de trabalho colaborativo
de pesquisa bibliográfica através de sistema informatizado (Figura 3) como uma
das etapas de atividade de iniciação científica na formação de professores.
Seus resultados foram apresentados no 13º Simpósio Internacional de Iniciação
Científica da USP (SIICUSP - http://www.usp.br/siicusp/13osiicusp/aprovados/index03.htm - trabalhos: 2179, 2284, 2323, 3095 e 3167), como desafio
de construir uma postura pedagógica que pudesse ser transformadora porque
informada pela teoria.

Figura 3 – Sistema de catalogação de informações
bibliográficas
A partir
da leitura, seleção, catalogação e organização de teses, dissertações e artigos,
a pesquisa teve como tema principal a Educação de Jovens e Adultos e suas
diversas relações com os componentes curriculares de Ciências da Natureza e
suas tecnologias, Linguagens e Códigos de Comunicação e suas tecnologias,
Matemática e suas tecnologias e Ciências Humanas e suas tecnologias, áreas de
atuação do grupo de professores-estagiários do NEA.
5. O desenvolvimento da pesquisa
As atividades docentes
junto aos alunos que freqüentam as aulas de Ensino Fundamental e de Ensino Médio
na educação de jovens e adultos do NEA serviram de campo de observação para a
realização deste estudo. Durante dois anos, os professores-estagiários fizeram
os registros do trabalho pedagógico, aula a aula, componente por componente
curricular e são socializados nas semanas de formação e nos horários de
trabalho pedagógico contínuo semanalmente. Como parte da socialização dos
mesmos, elaboramos um portal na internet para garantir a visibilidade deste
trabalho tanto pelos professores-estagiários do NEA quanto pelos alunos adultos
(ver www.nea.fe.usp.br ).

Figura 4 – Contexto e desenvolvimento da pesquisa
Para fundamentar
a prática pedagógica desenvolvida procuramos investigar quais estudos e pesquisas
poderiam oferecer suporte para os questionamentos surgidos em cada componente
curricular na educação de jovens e adultos.
Adotamos
como caminho metodológico, os fundamentos da pesquisa-ação e como instrumentos
de coleta de dados, questionários, relatos orais e escritos, além de textos coletivos
dos professores-estagiários do NEA. Os sujeitos da pesquisa foram 18 alunos dos
diversos cursos de graduação (Física, Biologia, História, Geografia,
Matemática, Letras e Ciências da Computação) da Universidade de São Paulo que
atuam na educação de jovens e adultos.
Para reflexões da metodologia adotada, buscamos a contribuição de THIOLLENT
(1988, p. 14) que entende a pesquisa-ação como um
"tipo de pesquisa (...) concebida e
realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema
coletivo e no qual os pesquisadores e os
participantes representativos da
situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo e
participativo".
Para o registro bibliográfico utilizamos um sistema informatizado[2], com o objetivo de armazenar,
sistematizar, organizar, articular e permitir o cruzamento de informações que
pudessem trazer à reflexão, aspectos teóricos e práticos já existentes sobre
cada tema proposto. Buscamos referências em FREIRE (2000), a base para o
encaminhamento do diálogo e interação
com as práticas pedagógicas realizadas.
Adotamos o software Cmaptools (http://cmap.ihmc.us/) e Nestor Web Cartografer
(http://www.gate.cnrs.fr/~zeiliger/nestor)
como dispositivos de apoio ao mapeamento
bibliográfico, com o objetivo de permitir novas leituras e novas aproximações
do conteúdo selecionado.
Em nossa caminhada, suscitamos possibilidades de constituição de
um professor que tivesse o desejo de “investigar,
um desejo de questionar. É preciso que ele tenha uma formação adequada para
formular problemas, selecionar métodos e instrumentos de observação e análise”
conforme assinala ANDRÉ (2002, p. 60), pois
é nessa
postura que professores e alunos produzem conhecimentos capazes de solucionar
problemas do contexto. É na prática da pesquisa que recorremos a DEMO (2002, p.
58) quando afirma que “uma sociedade bem
informada significa aquela que, ao mesmo tempo, promove a cidadania...e fomenta
o avanço do conhecimento”.
Com a disposição de eterno aprendiz, participei em paralelo ao
desenvolvimento dessa pesquisa, do curso "O uso de software em pesquisa qualitativa", oferecido
pelo Cogeae-PUC-SP no segundo semestre
de 2005, buscando ampliar os conhecimentos sobre as questões da organização da
informação em rede. As interações com os participantes do curso e o conteúdo
oferecido permitiram-me avançar nas reflexões dessa pesquisa, no sentido de experimentar situações transformadoras,
tornando fértil e tendo mais contribuições a oferecer aos
professores-estagiários do NEA, parceiros na construção do conhecimento e no
respeito à diversidade da sala de aula.
A partir da
observação empírica sobre a heterogeneidade tanto dos alunos adultos quanto das
diferentes formações dos professores-estagiários do NEA, aplicamos questionários
com questões abertas e fechadas, com o propósito de conhecer o perfil,
potencialidades e necessidades de cada sujeito participante da pesquisa.
Os
professores-estagiários trouxeram para debate, as experiências e problemas do cotidiano
da sala de aula. A análise da comunicação via fóruns de discussão realizados,
ilustram bem esse fenômeno. Foram percebidas como elemento desafiador, a falta
de tempo para aprofundamento das leituras e maior participação nas atividades
dialógicas nos ambientes virtuais.
6.1. Temas das pesquisas
Os temas para fins de revisão
teórica, organização das leituras e análises, foram divididas em duas etapas: a
primeira, com levantamento bibliográfico, leituras e fichamentos referentes ao
período de 1997 a 2004 (recorte temporal decidido coletivamente dado ao fato da
inserção da Educação de Jovens e Adultos e da educação a Distância no sistema
oficial de ensino brasileiro pela LDB 9394/96) das teses e dissertações da
Faculdade de Educação da USP e dos artigos referente aos seguintes periódicos:
·
Revista Educação e Pesquisa - Faculdade
de Educação da USP
·
Revista Brasileira de Educação – Associação
Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação
·
Cadernos de Pesquisa – Fundação Carlos
Chagas
A primeira etapa foi
caracterizada pela busca da fundamentação teórica sobre pesquisas que tratavam
de questões da Educação de Jovens e Adultos. Dessa forma promovemos discussões nas
reuniões semanais do Horário de
Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) do NEA, onde foram definidos os temas e
objetivos de cada grupo de pesquisa.
A segunda, foi
caracterizada pelo aprofundamento dos temas propostos e acompanhamento das
atividades coletivas presenciais e virtuais em situações de planejamento (organização
de reuniões, distribuição de funções, busca e tratamento de informações) e
permitiu-nos dialogar frequentemente sobre a organização do trabalho pedagógico
apoiado pelos dispositivos tecnológicos, comprovando que a autonomia e flexibilidade
devem ser constantes nos projetos de pesquisa colaborativa em rede.
Promovemos
ainda, discussões sobre organização da informação, metodologia, avaliação e
comunicação da pesquisa científica de tal maneira que os
professores-estagiários do NEA pudessem situar as pesquisas na perspectiva de revelação
de um determinado contexto da sala de aula.

Figura
5 – Resultados da pesquisa
Os
resultados apontaram reduzida produção de pesquisas sobre Educação de Jovens e
Adultos e, principalmente na interface com os componentes curriculares do
Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Do total de 911 teses e dissertações
catalogadas no sistema tecnológico, somente 49 delas investigam Educação de
Jovens e Adultos, o que representa 5,4% do total. Em relação às pesquisas de
Educação de Jovens e Adultos e os componentes curriculares do Ensino
Fundamental e Ensino Médio, em 49 títulos obtivemos os seguintes percentuais:
para Linguagens e Códigos de Comunicação e EJA um total de 12,2%; para Ciências
da Natureza e EJA, um total de 6,1%; para Ciências Humanas e EJA um total de
4,1% ; para Matemática e EJA um total de 6,1%. Tais dados confirmam a restrita
produção sobre EJA na educação escolar como um todo.
Em relação aos
periódicos de educação foram encontrados 537 títulos. Desse total foram
encontrados somente 28 títulos (5,2%) sobre Educação de Jovens e Adultos que
serão apreciados criticamente em etapa posterior dessa pesquisa como fonte de
fundamentação do trabalho pedagógico.
O
trabalho colaborativo de pesquisa sobre Educação de Jovens e Adultos, agregou propostas
interdisciplinares de reflexão sobre a prática da sala de aula. Foram
produzidos textos coletivos apresentando as principais tendências de pesquisa
em EJA posteriormente socializados institucionalmente no 13º. Simpósio
Internacional de Iniciação Científica da USP, por subgrupos de
professores-estagiários, com os seguintes títulos:
·
Ensino de Matemática na Educação de Jovens e
Adultos: os saberes necessários na organização do trabalho pedagógico
·
O significado da Educação Básica: do conhecimento
tácito ao conhecimento formal
·
A arte como estratégia no ensino de Ciências Humanas
para jovens e adultos
Algumas
características de mapeamento colaborativo de informações foram observados no
processo, como atitudes de cooperação e parceria, onde todos são aprendizes
eternos, levando-se em conta que todo o grupo pode aprender organizando seu
tempo e espaço, pois cada percurso é singular, não havendo roteiro totalmente pré-estabelecido.
7. Considerações Finais
Com base na pesquisa e
vivência realizada, observamos que práticas pedagógicas colaborativas apoiadas
por mapas conceituais, atendem a necessidade de projetos coletivos que tenham
proposta educacional bem organizada, pois respeitam as relações de aprendizagem
que tomam o sujeito como um ser ativo de seu processo de formação.
Ao sentir-se ator de
seu processo de formação, os professores-estagiários do NEA mostraram entusiasmo
e o próprio grupo contribuiu para impulsioná-los na busca de se constituir como
sujeitos autônomos.
Diante destas observações, constatamos:
· a prática do trabalho colaborativo de pesquisa
apoiado por mapas conceituais pode ser estendida a diversas situações do
cotidiano pedagógico, permitindo assim reflexão teórica qualificada no
aperfeiçoamento da ação docente e processo de aprendizagem;
· ao trabalharmos com projeto contextualizado, percebemos pouca resistência
dos professores-estagiários em romper com
paradigmas da pesquisa isolada, e alta motivação para construir conhecimentos
que trazem no seu bojo a compreensão de um homem criador, ético, responsável e
crítico
· A pesquisa bibliográfica colaborativa apoiada
por mapas conceituais não define um processo padronizado de formação de
professores, mas através de suas interface, indica fases a serem vencidas. Os
membros do grupo ampliam suas possibilidades para planejarem suas atividades
pedagógicas, definir formas de trabalho, papéis e divisão de tarefas,
habilidades necessárias para reflexão sobre o bom desempenho docente.
8. Referências
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PICONEZ, Stela C. Bertholo. Educação Escolar
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design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
STIGLER, J.W.; HIEBERT, J. The teaching gap: best ideas from the world´s
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1999
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ZEICHNER, K. Para além da divisão entre professor-pesquisador e pesquisador acadêmico. In
FIORENTINI;GERALDI; PEREIRA (org).
Cartografias do trabalho doente. Campinas: Mercado de Letras, 1993
[1] A
proposta desse estudo só foi possível porque teve a autorização e participação
em todas as etapas da Profa. Dra. Stela Conceição Bertholo Piconez,
coordenadora científica do Núcleo de Estudos de Jovens e Adultos e também do
Grupo Alpha de Pesquisas.
[2] Criação do
software de pesquisa bibliográfica por Claudio F. André em pesquisa de
doutorado sob orientação da Profa. Dra. Stela Piconez (FEUSP)