Conceitualização de Comunidade de Prática (CoP)[i]
Neli Maria
Mengalli
Concepções de trabalho baseados em grupos ou equipes foram
introduzidas, muito estudadas e teorizadas nas décadas de 70 e 80. Desde essa
época, tarefas com essa característica foram motivos de investigação acadêmica
e muitas teorias surgiram. Ainda estão em estágios iniciais de aprendizado: a
inserção e o gerenciamento de comunidades que tem como componente a prática.
O conceito de
Comunidade de Prática (CoP) foi “cunhado” pelo teórico organizacional Etienne
Wenger[1]
como comunidades que reuniam pessoas unidas informalmente – com
responsabilidades no processo – por interesses comuns no aprendizado e
principalmente na aplicação prática do aprendido.
Segundo McDermott, Comunidades de Prática (CoP) também podem ser
definidas como agrupamento de pessoas que compartilham e aprendem uns com os
outros por contato físico ou virtual, com um objetivo ou necessidade de
resolver problemas, trocar experiências, desvelamentos, modelos padrões ou
construídos, técnicas ou metodologias, tudo isso com previsão de considerar as
melhores práticas (McDERMOTT, 2000).
Na década de 90, Stewart enfatiza que essas comunidades têm
características especiais e as define
como grupos que aprendem. Emergem de iniciativa própria, pessoas por força
social e profissional colaboram diretamente e aprendem umas com as outras
(Stewart, apud Pretto, 2004:46).
Mais que comunidades de “aprendentes”, a Comunidade de Prática
(CoP) pode ser uma “comunidade que aprende”, pois são compostas por pessoas que
têm compromisso de agregar as melhores práticas. Wenger afiança que uma Comunidade
de Prática (CoP) não é tão somente um agregado de pessoas definidas por algumas
características, são pessoas que aprendem, constroem e “fazem” a gestão do
conhecimento (Wenger, 1998).
Tendo em vista
que o conhecimento e a aprendizagem têm um caráter social e são construídos por
indivíduos, as Comunidades de Prática (CoP) tendem a ter identidade própria e,
se bem desenvolvida, podem desenvolver uma linguagem própria permitindo aos
membros uma melhor comunicação e afirmação na identificação. Faz referência as
maneira como os partícipes trabalham em comunhão ou como se integram de modo
voluntário.
O objetivo de
participar desse “novo local” é uma necessidade autêntica de aprender com
outros membros em um ambiente de aprendizado forte, que tem como base a troca
de informações – de modo síncrono ou assíncrono. Os encontros podem ser
regulares ou não, em locais fixos com “agendamento” prévio ou não e virtuais ou
reais, porém podem reunir pessoas que jamais se encontrariam de outra forma
para aprenderem juntas.
Ao apoiar a formação desse tipo de comunidade, a instituição –
órgão ou organização – tende a verificar o conhecimento de modo estratégico que
pode ser revertido na prática docente e gestora, pois tem a tendência de ser
construído e gerido na ação (dados trazidos para a discussão) para a reflexão
(gestão do conhecimento construído) e no retorno à prática (conhecimento
explícito internalizado – conhecimento tácito).
A conversão acima
descrita tende a crescer na interação do conhecimento tácito entre indivíduos,
principalmente através da observação, imitação e prática, tendo como acionador
a prática compartilhada (Fleury, M. & Oliveira Júnior, M., 2001:140).
Conexões significativas podem conduzir os indivíduos a estágios de criatividade
muito maior que poderiam alcançar sozinhos[2].
Gerir e
compartilhar conhecimento faz parte do conceito de Comunidade de Prática (CoP),
partilhar, no contexto da estrutura social e temática. Dessa forma, essas
comunidades podem ir além dos limites tradicionais de coligação ou conjunto de
trabalho, bem como espaço físico e geográfico. As relações de contribuição têm
um caráter espontâneo, não hierarquizado
e autogerido. Costumam desenvolver-se com colaboradores e gestores que tendem a
ter um grau de confiança muito elevado, uma vontade de aprender uns com os
outros e uma participação responsável.
Podem ser “fórum”
para apoio a decisões que necessitam de uma discussão mais elaborada e podem
definir “fragmentos” de conhecimento de participantes que buscam deixar o senso
comum para serem aptos a decodificar e codificar o conhecimento tácito mais
científico.
A oferta de
ambientes de aprendizado confiáveis e a oportunidade de “contactar” pessoas com
interesses, formação da idéia, desafios, problemas ou motivações similares
podem ser um dos atrativos desse tipo de comunidade, alia a valorização da
participação e iniciativa individual.
A melhoria da
infra-estrutura para auxiliar a comunicação entre os membros e a promoção de uma criação de novos papéis
para o acesso e a manutenção de comunidade são requisitos para aumentar a
existência desse ambiente colaborativo. Terra escreveu sobre os quinze
princípios para o desenvolvimento e suporte às Comunidades de Prática (CoP),
acrescenta que essas comunidades são fenômenos recentes e que é possível que
surjam muitas Comunidades de Prática (CoP), bem como desenvolvimento pela
teoria organizacional de tipologias e processos de gestão específicos para
essas comunidades (Terra, 2003).
Estágios das
Comunidades de Prática (CoP)
O importante
nas Comunidades de Prática são os conteúdos, ou seja, os aprendizados como
experiência através dos processos de negociação e re-negociação e de
significação e re-significação e as modificações[3]
das competências, habilidades e saberes individuais que podem interferir no
exercício de pertencimento do indivíduo na comunidade.
Cada estágio
do ciclo da Comunidade de Prática (CoP) é distinguido por processos diversos,
por formas de interação variadas e por relacionamentos
que se formam. O início é marcado pelo desvelamento dos interesses e pela
preparação do ambiente, os estágios seguintes poderão ser vistos no esquema
abaixo, fruto de uma re-leitura no Cmap do esquema feito por Wenger (1998):

No
processo de expansão, os membros definem os objetivos e o “como fazer”; no
estágio de maturação, enfatiza-se a responsabilidade pelas práticas, através de
padrões e agendas, motivo pelo qual há um aumento nas atividades. O
funcionamento por ciclos de atividades é um dos motivos das renovações dos
interesses, disponibilizando-se momentos para a formação de novos
participantes. Nessa fase, a comunidade se caracteriza como Comunidade de
Prática (CoP), no entanto o cuidado no ápice deve ser com a dispersão, o número
de membros aumenta e as “conversas paralelas” fortificam laços com interesses diversos
podendo causar a dissolução da comunidade.
Mediadores,
co-mediadores e participantes centrais devem fazer a mediação para evitar a evasão
e a mudança de interesses em relação ao projeto inicial. A gestão do
conhecimento, o “filtro” das informações e a publicação dos dados devem ser
acautelados na divulgação de materiais novos na Comunidade de Prática (CoP), o
excesso de informação, muitas vezes, não é bem administrado por todos, todavia
novos dados devem ser disponibilizados para todos os usuários.
Protagonistas
novos começam a surgir, o gestor de conteúdos, por exemplo, deverá ser o
disseminador das informações, promovendo o compartilhamento entre os membros. As
participações registradas nas interações são construídas a partir de afinidades
por conhecimento em processos de troca (Lévy, 2000).
Comunidades de Prática (CoP) são “locais” de
participação em que os membros compartilham um entendimento relativo ao que
fazem ou conhecem, trazendo uma significação e/ou re-significação para as vidas
particulares e para outras comunidades (Wenger & Lave, 1991).
Referências:
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Integrando Aprendizagem, Conhecimento e Competências. Editora Atlas, São
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(Mestrado em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação)
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Acessado em 06/09/2004.
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Brasília-DF. UCB/MCGTI, 2004. Dissertação (Mestrado em Gestão do Conhecimento e
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Comunidade de Prática: conceitos,
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Harvard Business School Press, 2002.
[1] WENGER, E. & Snyder, W. M. Communites
of Pratice: The Organizational Frontier. Harvard Business Review,
jan-feb., 2000, p. 139-145.
[2] TERRA, J. C. C. Comunidade
de Prática: conceitos, resultados e métodos de gestão. 2003. Disponível em:
http://www.terraforum.com.br/lib/pages/viewdoc.php?from=map&l_intDocCod=98.
[3] A configuração
social das relações com as práticas, com a comunidade e com a significação
agindo sobre a construção da identidade.
[i] Elaboração de conceitualização de Comunidade de
Prática (CoP)
Estudo feito por Neli Maria Mengalli – Mestrado
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC
– SP
setembro de 2004