Aprendizagem Colaborativa
Lyselene Candalaft Alcântara Prol
( Responsável pela utilização de Tecnologia no Colégio
Marista Arquidiocesano )
lmedeiros@marista.org.br
Fábio Correa de Sampaio Netto
(Coordenador pedagógico na área de Inglês)
fscnetto@uol.com.br
Márcia Prado Castro (Professora de
Matemática)
castromarcia@ig.com.br
Universidade
Mackenzie
Curso de Pós Graduação em Informática Aplicada à Educação
Oficina Nestor Web Cartografer
Professora Alexandra L. Okada
"... a inteligência ou a cognição são resultados de
um rede complexa,... não sou eu que sou inteligente, mas eu com o grupo humano
do qual sou membro. O pretenso sujeito inteligente nada mais é do que um dos
microatores de uma ecologia cognitiva que o engloba e restringe." Lévy
(1994:135),
Resumo:
Este trabalho tem como meta apresentar uma metodologia de aprendizagem um
conjunto de métodos e técnicas de aprendizagem para utilização em grupos
estruturados, assim como de estratégias de desenvolvimento de competências
mistas (aprendizagem e desenvolvimento pessoal e social), onde cada membro do
grupo é responsável, quer pela sua aprendizagem quer pela aprendizagem dos
restantes elementos.
Público Alvo:
Pretendemos que este trabalho seja útil a alunos e professores que estejam na
busca de formas alternativas de apoio ao processo ensino/aprendizagem.
Palavra Chave: aprendizagem, comunidades virtuais, colaboração.
Introdução:
É uma estratégia de ensino na qual os alunos, de vários níveis de performance, trabalham juntos em pequenos grupos tendo uma única meta. Sendo, então, responsáveis pela aprendizagem uns dos outros, assim como a sua própria. A troca ativa de idéias em pequenos grupos não somente aumenta o interesse assim como promove o pensamento crítico. Há evidência persuasiva de que grupos cooperativos atingem níveis mais avançados de pensamento e retém informação por mais tempo que os alunos que trabalham individualmente. A atividade em grupo possibilita uma menor competitividade, pois na negociação reúne propostas e soluções dos vários elementos, possibilitando assim alcançar níveis qualitativos mais elevados em conteúdo.
A aprendizagem colaborativa destaca a
participação ativa e a interação, tanto dos alunos como dos professores. O
conhecimento é visto como uma construção social e, por isso, o processo
educativo é favorecido pela participação social em ambientes que propiciem a
interação, a colaboração e a avaliação. Pretende-se que os ambientes de
aprendizagem colaborativos sejam ricos em possibilidades e propiciem o
crescimento do grupo.
Bases teóricas: Para elaboração deste trabalho, nos baseamos fundamentalmente em três teóricos:
Piaget
Teórico que pesquisou cientificamente o desenvolvimento da inteligência humana, tinha a ação como palavra chave de sua teoria. Todo e qualquer crescimento cognitivo só ocorre a partir de uma ação, concreta ou abstrata, do sujeito sobre o objeto de seu conhecimento. Por conseqüência, a teoria construtivista de aprendizagem baseada na Epistemologia Genética tem este pressuposto como sua pedra estrutural, colocando a ação, ou mais especificamente a interação, como requisito fundamental para a sua prática. Neste novo paradigma, o aluno transforma-se de um agente passivo de recepção dos conhecimentos repassados pelo professor em um ser ativo, responsável pelo próprio desenvolvimento. O professor, por sua vez, perde seu posto de detentor e repassador do conhecimento e passa a ser aquele que fomenta o desequilíbrio cognitivo do aluno. Em seus estudos sobre a solidariedade, Piaget, argumenta que, sem usufruir os benefícios do convívio social, o aluno não consegue desvendar ou compreender a ciência, ficando restrito a “uma acumulação de conhecimento que o indivíduo sozinho seria incapaz de reunir”. Para que isto ocorra, no entanto, o sujeito precisa ter desenvolvido, certas estruturas que permitam elaborar o que ele denomina de ‘solidariedade interna’. Neste estágio, o aluno tem capacidade de criar sua próprias regras em conjunto com seu grupo, e exercer a cooperação intelectual. As condições indispensáveis para que isto ocorra são as mesmas que caracterizam um ambiente de aprendizagem colaborativa: ausência de hierarquia formal, um objetivo comum entre todos, respeito mútuo às diferenças individuais e liberdade para exposição de idéias e questionamentos.
Para Vygotsky, que prega a origem social da inteligência, a aprendizagem acontece inicialmente de forma interpsíquica, isto é, no coletivo, para depois haver a construção intrapsíquica. Partindo-se do pressuposto de que o conhecimento (ou aprendizagem) é construído pelas interações do sujeito com outros indivíduos, estas interações sociais seriam as principais desencadeadoras do aprendizado. O processo de mediação se estabelece quando duas ou mais pessoas cooperam em uma atividade (interpessoal), possibilitando uma reelaboração (intrapessoal). A Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP, segundo Vygotsky, é considerada “um traço central de aprendizagem”, onde se encontram as funções em processo de maturação. O conhecimento está vinculado ao contexto sociocultural do aluno, uma “situação social definida”, onde são igualmente importantes “o que” os sujeitos realizaram e “como” o realizaram. Por meio de análise destes processos, pode ser verificada a mudança cognitiva (construção do conhecimento). Frente a este embasamento teórico é possível perceber que a utilização de algumas ferramentas, como por exemplo: lista de discussão, chat, podem desencadear novos conflitos cognitivos. Estes conflitos ocorrem, não pelas ferramentas em si, mas porque existirá a interferência de outros sujeitos que poderão atuar como promotores do crescimento cognitivo do desenvolvimento real.
O ciberespaço, para Lévy, designa o universo das redes digitais como lugar de encontros e de aventuras, terreno de conflitos mundiais, nova fronteira econômica e cultural. Ciberespaço designa menos os novos suportes de informação do que os modos originais de criação. Constitui um campo vasto, aberto, ainda parcialmente indeterminado, que não se deve reduzir a um só de seus componentes. Ele tem vocação para interconectar-se e combinar-se com todos os dispositivos de criação, gravação, comunicação e simulação. Para guiar a construção do ciberespaço, para ajudar a escolher entre as diferentes orientações possíveis, Lévy propõe um critério de escolha ético-político, uma visão organizadora. Deveriam ser encorajados os dispositivos que contribuem para a produção de uma inteligência ou de uma imaginação coletiva: os instrumentos que favorecem o desenvolvimento ao laço social pelo aprendizado e pela troca de saberes; os agenciamentos de comunicação capazes de escutar, integrar e restituir a diversidade; os sistemas que visão o surgimento de seres autônomos e as engenharias semióticas que permitem explorar e valorizar os jazigos de dados, o capital de competência e a potência simbólica acumulada pela humanidade. O ciberespaço e as comunidades virtuais podem ser imaginados como mediadores das práticas de inteligência colaborativa. Neste mundo marcado pela inovação e valorização dos saberes, é indispensável a aprendizagem colaborativa no ciberespaço.
Aprendizagem Colaborativa
Com o desenvolvimento de tecnologias interativas que possibilitem contato em tempo real entre locais espalhados geograficamente começam a surgir os chamados grupos virtuais e a idéia de trabalho em “ambiente colaborativo”. Podemos levar esta idéia para a área da educação através de uma modalidade contemplada por grupos virtuias.
A utilização dos computadores em ambientes de trabalho e aprendizagem colaborativos pode tomar diferentes formas:
1. colaboração em relação com o computador (um ou mais alunos trabalham num mesmo computador);
2. colaboração baseada numa rede local (um ou mais alunos, trabalham em vários computadores no mesmo lugar)
3. colaboração no ciberespaço, baseada numa rede alargada (um ou mais alunos, trabalham em computadores geograficamente distantes).
Abordaremos neste trabalho a modalidade contemplada pela
colaboração em seu nível pleno, ou seja no ciberespaço. Um dos caminhos para
isso é o contemplado pelo trabalho
em grupos virtuais através da Internet.
Dentre as principais características desta modalidade de ensino/aprendizagem
podemos citar a possibilidade de contato com um largo espectro de colegas
(estudantes, professores e especialistas) com os quais
podem colaborar e contar com a colaboração na construção do conhecimento
de um assunto em específico. Se analisarmos as dimensões destas possibilidade
de troca, perceberemos que é muito maior do que a que se alcançaria em uma única
instituição educacional local.
A idéia de "ambiente colaborativo", à qual nos referimos aqui, relaciona-se com a concepção de "processo de aprendizagem". Neste sentido, os ambientes virtuais colaborativos de aprendizagem são espaços compartilhados de convivência que dão suporte à construção, inserção e troca de informações pelos participantes visando a construção social do conhecimento. Devem, portanto, ser públicos e democráticos.
Os sistemas informáticos de suporte à comunicação mediada pelo computador e de apoio à aprendizagem colaborativa (também conhecidos como tecnologias de groupware) são típica e tradicionalmente classificados por categorias segundo uma matriz de tempo / localização dos utilizadores: síncronos (mesmo tempo), assíncronos (tempo diferente), presenciais (mesmo lugar) e remotos (lugar ou lugares diferentes).
As ferramentas síncronas
suportam a interação em simultâneo entre membros do grupo como por exemplo a
videoconferência, IRC; sistema de suporte à decisão, etc. As ferramentas assíncronas,
como o correio eletrônico, os newsgroups,
as listas de distribuição de correio eletrônico, o hipertexto, etc., suportam
o trabalho individual ou de pequenos grupos, de modo a contribuir para o
processo geral.
Para Vigotsky, a colaboração entre alunos ajuda a desenvolver estratégias e habilidades gerais de soluções de problemas pelo processo cognitivo implícito na interação e na comunicação. Para ele linguagem é fundamental na estruturação do pensamento, sendo necessária para comunicar o conhecimento, as idéias do indivíduo e para entender o pensamento do outro envolvido na discussão e na conversação. E através dos grupos ou comunidades, os alunos terão grandes possibilidades de trocas e negociações. Um mostrando ao outro no que e porque acredita em alguns conceitos, e o outro concordando ou discordando. Este processo faz com que se pense sobre o objeto em estudo e isto leva ao aprendizado.
Pedagogicamente
podemos dizer que este método de trabalho tenta atender as seguintes competências
e habilidades:
· conhecimento compartilhado: a valorização do universo do conhecimento prévio, das experiências pessoais, línguas, estratégias e culturas que os alunos e os professores trazem para a situação de aprendizagem;
· autoridade compartilhada entre professores, alunos e especialistas;
· aprendizagem mediada pelos autores e ações que se constroem nesses espaços (professores como mediadores);
· valorização das diversidades e das diferenças (gênero, etnia, classe social, estilos e ritmos de aprendizagem,..., enfim as histórias pessoais e as trajetórias sociais);
· a construção de significações e resignificações no processo de aprendizagem.
As características pedagógicas requerem:
· a flexibilidade dos papéis e movimentos no processo das comunicações e relações que fazem a mediação da aprendizagem;
· a valorização das diferentes autorias do professor/organizador, monitor e alunos participantes.
· a democratização das participações nos diferentes espaços do ambiente e da inserção de colaborações individuais e coletivas dos grupos de trabalho;
· alcance de metas realizadas coletivamente;
· debates que privilegiam novas leituras, interpretações, associações e críticas em espaços formais e informais;
·
suporte aos estudos individuais.
Sugestão para criação de grupos:
Uma proposta onde se encaixaria esta metodologia é de trabalhos colaborativos entre escolas. Poderíamos partir de um desafio entre escolas, por exemplo a construção de uma maquete com movimento utilizando recursos de robótica para solucionar por exemplo o problema de água em uma região rural onde existe água porém está localizada em um ponto distante das plantações. Esta é só uma sugestão, a idéia é que se parta de um problema real e se encontre uma solução que utilize a construção de máquinas que utilizem polias e engrenagens.
Para tanto poderíamos seguir o seguinte roteiro:
1. Criar um grupo virtual que poderá ser utilizado da seguinte forma :
Alunos: Conhecerem os alunos de outras escolas, discutirem os desafios, negociarem as soluções, pedir apoio no desenvolvimento, construírem o conhecimento sobre o tema envolvido no desafio, sobre robótica e sobre construção colaborativa;
Professores: Negociar com os alunos a organização que poderá levar ao êxito do projeto, apresentar conceitos e situações problemas que levem os alunos a pensarem sobre os conceitos que se deseja transmitir, indicar fontes de informações e caminhos para jantá-las de tal forma a fazer sentido e gerar conhecimento.
2. Os alunos de uma escola se apresentam para os da outra através do grupo;
3. Cada grupo de uma determinada escola apresenta um desafio para um grupo da outra escola;
4. Os grupos desafiantes e desafiados irão se conversar virtualmente para cada qual compreenderem melhor o desafio proposto;
5. Os grupos apresentam as soluções em forma de esquema lógico e desenho para os desafiantes com objetivo destes avaliarem as soluções encontradas. Neste momento poderá haver uma negociação de soluções.
6. Conforme os grupos constroem as maquetes, podem trocar fotografias com objetivo acompanhamento real .
7. Publicar o resultado final de cada
Organizando o saber
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2. Por que? Nessa área se encontram outros sites com informações gerais sobre as vantagens dessa forma de aprender.
3. Teses. Esta área refere-se a URL de teses que aprofundam o tema, caso o usuário queira saber mais, e de forma mais estruturada.
Bibliografia:
LÉVY, Pierre. As
tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.
Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994.